Preciso me esquecer da minha mente.
Preciso deixar pra trás meu talvez e encontrar o meu certo.
Parar de ir sempre aonde nada há, onde nada nasce ou morre, o lugar onde nada existe.
Preciso parar de me contentar com pouco,
De me sentir sozinho,
De procurar estrelas-do-mar no asfalto.
Preciso eliminar, matar, trucidar esse aperto,
Me livrar das amarras, parar de tentar entender tudo.
Preciso largar a paranóia, esse vício.
Preciso só caminhar até a saída,
Colocar a mão na maçaneta,
Pegar minha chave e abrir a porta.
Atravessar?
Sim, atravessar e largar de ser besta.
Preciso largar a especulação,
Esse cão maldito, que ladra sempre no meu quintal,
Preso por uma corrente que eu mesmo coloquei
E que luto a cada minuto para quebrar, a machadadas se for preciso.
Preciso deixar o medo pra trás,
Essa sujeira que se instalou em mim,
O medo da morte,
O medo de estar sozinho,
O medo do amanhã,
O medo da dúvida.
Essa paz há tanto buscada,
Que parece sempre escorrer pelos meus dedos,
Aquela que eu sempre arrisco na busca de um bem maior,
Que chega e vai embora tão rápido quanto veio.
Mas como não arriscá-la?
Se ela também consiste de coisas que ainda não possuo?
E quando definitivamente a ter, será que não surgirá algo mais para não tornar minha paz completa?
Nunca saberei, se não arriscá-la.
As vezes acho que a paz consiste em arriscá-la a cada momento,
Em cada oportunidade,
Para que a mesma possa crescer, pois, a paz estática tende a se tornar tédio.
E até agora, nada ainda se resolveu,
Mas sou paciente, até demais...