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sexta-feira, setembro 30, 2011

Um Sonho



Um dos meus sonhos ainda não realizados é fazer uma viagem de carro através dos Estados Unidos fazendo o mesmo trajeto que Sal Paradise fez no livro On The Road.

Nada de "highways" ou "auto-estradas".
Nada de carros modernosos e cheios de recursos tecnológicos.

Nada de saber exatamente onde se vai dormir a noite.

O negócio é pegar as estradas secundárias e dirigir sozinho por quilômetros e quilômetros sem passar por outra alma viva.
É pegar um Cadillac da década de 50 e varar as estradas a 180 km por hora.

É dormir em hotéis de beira de estrada e comer qualquer coisa a qualquer hora.
É andar rápido e ao mesmo tempo sem pressa de chegar, aproveitando a vista, sem se importar muito com destino.


Quem sabe?

quarta-feira, abril 08, 2009

O Vício da Conspiração

Preciso me esquecer da minha mente.
Preciso deixar pra trás meu talvez e encontrar o meu certo.
Parar de ir sempre aonde nada há, onde nada nasce ou morre, o lugar onde nada existe.

Preciso parar de me contentar com pouco,
De me sentir sozinho,
De procurar estrelas-do-mar no asfalto.

Preciso eliminar, matar, trucidar esse aperto,
Me livrar das amarras, parar de tentar entender tudo.

Preciso largar a paranóia, esse vício.
Preciso só caminhar até a saída,
Colocar a mão na maçaneta,
Pegar minha chave e abrir a porta.
Atravessar?
Sim, atravessar e largar de ser besta.

Preciso largar a especulação,
Esse cão maldito, que ladra sempre no meu quintal,
Preso por uma corrente que eu mesmo coloquei
E que luto a cada minuto para quebrar, a machadadas se for preciso.

Preciso deixar o medo pra trás,
Essa sujeira que se instalou em mim,
O medo da morte,
O medo de estar sozinho,
O medo do amanhã,
O medo da dúvida.

Essa paz há tanto buscada,
Que parece sempre escorrer pelos meus dedos,
Aquela que eu sempre arrisco na busca de um bem maior,
Que chega e vai embora tão rápido quanto veio.

Mas como não arriscá-la?
Se ela também consiste de coisas que ainda não possuo?
E quando definitivamente a ter, será que não surgirá algo mais para não tornar minha paz completa?
Nunca saberei, se não arriscá-la.

As vezes acho que a paz consiste em arriscá-la a cada momento,
Em cada oportunidade,
Para que a mesma possa crescer, pois, a paz estática tende a se tornar tédio.

E até agora, nada ainda se resolveu,
Mas sou paciente, até demais...