sábado, março 07, 2009

Misto-Quente

E ai galera.
Era pra eu ter postado alguma coisa essa semana, mas uma dessas "viroses" me pegou em cheio. Dai, aquela velha chatice de ter que ficar em casa de molho, sabem como é.

Bem, deu pelo menos pra terminar a leitura de "Misto-Quente", do Bukowski.
Misto-quente é um daqueles livros que é um tapa na cara.
Bukowski é um tapa na cara.

O livro conta a trajetória de Henry Chinaski, jovem alemão que vai aos EUA muito cedo levado pelos pais e cresce durante o período da grande depressão de 29. E é nesse ambiente hinóspito, com um pai quase psicopata que bate nele por prazer, uma mãe subserviente e calada e uma sociedade que parece o rejeitar de todas as maneiras possíveis é que ele vai desenvover sua visão de mundo.
Na adolescência nada parece melhorar para ele, nem a escola, nem os amigos, nada parece satisfazê-lo e assim ele vai descobrindo o mundo à sua maneira.

O estilo de escrita do livro é bastante crua, recheada de palavrões, deixando a leitura, ao meu ver, bem mais interessante.

Existe um trecho em que Bukowski descreve um paradoxo muito interessante na mente do personagem que ocorre no momento em que ele vai à praia com seu amigo Jimmy e este encontra algumas garotas na praia:
"Observei-os saindo da água, reluzentes, jovens, as peles macias, invictos. Queria que eles me quisessem. Mas nunca por piedade. Ainda assim, apesar de seus corpos e mentes suaves e intocados, continuava a lhes faltar algo, porque até então, basicamente não tinham sido testados. Quando a adversidade finalmente chegasse em suas vidas, chegaria muito tarde ou seria por demais pesada. Eu estava preparado. Talvez."

Henry em todas as partes do livro demonstra ser uma pessoa difícil de lidar, arisca e dura. É o tipo de pessoa sensível com o mundo mas que não tem paciência com as pessoas, para aturar suas chatices, lamentações, sonhos fúteis e etc. Ele definitivamente não consegue se encaixar na sua sociedade, sente-se sempre um estranho, mesmo com seus pais.

Nesse livro, Bukowski demonstra ser um cara bem direto com as palavras e com os fatos que descreve. Dá-se quase a impressão de que o livro é composto por vários contos sobre o mesmo personagem dada a dinâmica com que as coisas se desenvolvem.
É uma leitura muito agradável, você chega ao fim do livro com aquela sensação de que foi rápido demais.

Bom, fica ai a dica. Leiam!

3 comentários:

Simone Schuck disse...

Adoro "livros tapa na cara". Fiquei muito curiosa para ler este aí (vou anotar...)

Eu SEMPRE recomendo (é até chato) o meu livro preferido de tapas na cara, o Precisamos Falar sobre Kevin da Lionel. Tem até crônica no meu blog sobre ele...

Você mexeu tão bem nas palavras que fiquei curiosa, esteja certo que vou ler! Beijos

Traveler disse...

Leia mesmo Simone! Com certeza vai gostar. Eu tô querendo ler outros livros dele também, espero encontrar algo bom. Bjo! =)

Roberto disse...

Você já pensou em ser crítico de livros?
Um texto escrito com uma qualidade incrível, divulgando realmente o livro...

Impossível não querer ler!!! Vou arrumar um tempo para isso!!! rsrs