terça-feira, janeiro 20, 2009

Labirinto di Chartres



João passava por mais um de seus estranhos dias.
Dia triste, melancólico, e, o pior de tudo, sem motivo aparente.
E exatamente essa falta de motivo, esse "nada", essa ausência, é que o deixava ainda mais desesperado.

Apesar de tudo isso, como sempre, ele insitia em manter uma estranha esperança, ao mesmo tempo misturado com um certo tipo de solidão.
Talvez seja o forte suco de maracujá que ele sempre tomava que talvez o deixasse anestesiado, misturando então isso com uma nostalgia de algo que não aconteceu e um medo do que talvez nunca acontecerá de verdade.

Ele de novo se perdia em suas próprias palavras e buscava com todas as suas forças não entender o que se passava. Não, ele não queria, porém sua cabeça parecia funcionar sozinha e o levava por um intricado caminho de desejos e medos, de amores e ódios, de tudo o que ele viveu e também o que não viveu, mas, poderia ter vivido. Sua cabeça era mais forte que ele, sempre comandava a situação, sempre o conduzia através dos labirintos que existiam dentro dela própria. Porém ele nunca conseguia encontrar a saida e sempre, sempre voltava ao ponto de partida.

Ele notava então que sua vida parecia se repetir em eternos ciclos, sempre as mesmas cenas, os mesmos sentimentos. O que mudava, no máximo, eram os cenários e os personagens, porque o resto, parecia sempre igual.
Sempre igual.
Sempre igual.
Tudo o que ele então desejava era conseguir encontrar a saida do seu próprio labirinto, para a partir de então, sentir-se livre.
Como o lenço sujo em sua mão que, ao fechá-la e novamente abri-la, transformava-se num pombo.
Branco.

3 comentários:

Tangerine disse...

Engraçado como depois de Garcìa tudo muda =)

Simone Schuck disse...

João não está vendo a mágica da vida, mas parece sentí-la de longe. Beijos!

Andressa Pacheco disse...

Existe um João dentro de cada um... o vazio, a dúvida e a dificuldade de compreender o pq de estarmos aqui, nos persegue.